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10.09
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WebMorning APDC em parceria com Equinix

Multicloud Híbrida




A pandemia veio, de facto, acelerar a migração das empresas nacionais para a cloud. Mas os níveis de adoção ainda estão aquém do cenário europeu, apesar da adoção destas soluções estar, cada vez mais, na agenda das organizações. A chave para acelerar passa por perceber as vantagens deste tipo de abordagem de multicloud híbrida, que permite maior valor acrescentado, com um aumento da segurança, privacidade, previsibilidade e soberania dos dados, além de uma redução da latência, custos e time-to-market, garante os players deste negócio.

"A multicloud híbrida é um impulsionador da transformação digital", começou por garantir Carlos Paulino, Managing Director da Equinix, a parceira da APDC na realização deste Webinar sobre "Multicloud Híbrida", inserido no Ciclo sobre "O Futuro dos Negócios". Para o gestor, "a chave para a definição de uma estratégia de cloud em cada empresa é sem dúvida compreender exatamente quais são as cargas de trabalho que terão que ficar dentro da organização, quais as que podem ser migradas para cloud pública e as que têm de estar on-premise ou num data center privado".

Não tendo dúvidas de que "estamos a viver uma hora de mudança", cita um estudo de 2018 da Gartner que previa que até 2025 cerca de 80% das empresas encerrariam os seus datacenters próprios, contra na altura apenas 10% já o tinham feito". Uma visão que pode ser "a um futuro próximo", até porque a "adoção de soluções híbridas e multicloud está cada vez mais no topo da agenda das empresas".

A Equinix estima que hoje, cerca de 90% das empresas já usam soluções múltiplas de cloud, antecipando que a utilização começa agora a acelerar, sendo este um "momento de transformação". E estão a fazê-lo para resolverem vários desafios, com destaque para três grandes áreas: complexidade e performance (uma vez que a migração é complexa e há que ter em conta a experiência do utilizador); segurança e compliance (inserindo-se aqui a privacidade dos dados e a compliance regional); e infraestruture legacy (acesso a serviços cloud e transformar um modelo de capex em modelo de opex).

Carlos Paulino fala em dois conceitos de cloud híbrida. O primeiro compõe-se por duas ou mais clouds, sejam privadas, públicas ou comunitárias, que permanecem distintas, mas que estão conectadas entre si, oferecendo como benefício múltiplos modelos de implementação ao mesmo tempo. O segundo pode significar a capacidade de conectar infraestruturas de colocation, de gestão ou de serviços dedicados, com recursos da nuvem.

BENEFÍCIOS E DESAFIOS A ENFRENTAR

Entre as cargas de trabalho que as empresas mais colocam na cloud híbrida, o gestor refere as áreas de compute, mission critical apps, database, segurança, storage, bakcup, big data ou novas e antigas aplicações. A explicação? Escalabilidade e eficiência de custos, com eficiência no IT das empresas, que usam diferentes fornecedores cloud para lidar com as cargas de trabalho especificas e satisfazer as necessidades das aplicações.

Este tipo de soluções "alarga muito o footprint da multicloud, dando capacidade aos clientes de se ligarem a múltiplos providers, e permite comparar custos de forma direta", explica, acrescentando que os clientes usam as capacidades de cada cloud provider e o serviço que mais lhe convém, de acordo com as suas necessidades. O que a Equinix oferece são "capacidades de conexão", com uma "solução alternativa de alto valor acrescentado, que permite o aumento da segurança, privacidade, previsibilidade e soberania de dados, assim como uma redução da latência, do custo e do e time-to-market".

A necessidade de adoção de "uma abordagem holística ao mundo da multicloud híbrida, seja on-premise, em cloud privada ou pública", é para o Managing Director Iberia and Latin America da Claranet essencial no mercado atual. Ou seja, numa realidade em que se continua a evoluir para as clouds públicas, e tendo em conta os gigantes deste negócio, como a Amazon, a Microsoft ou a Google, os fornecedores nacionais diferenciam-se pela oferta de "capacidade de abstração e agnosticidade das plataformas e tecnologia", considerando "o melhor contexto para as necessidades de cada empresa".

Esta "abordagem holística, sem qualquer preconceito, permite aos clientes localizarem os seus dados e as suas aplicações de negócio, quer as críticas, quer as não críticas. Isto é que é fundamental", avança António Miguel Ferreira. Se atualmente ainda existe um "conjunto enorme de aplicações que ainda são on-premise", elas estão lentamente a migrar para ambientes de cloud pública ou privada e o "novo mundo, no futuro, nunca será apenas um só ambiente para a maior parte das empresas.

UM MUNDO CADA VEZ MAIS NA NUVEM

Para o gestor, constata-se que "a generalidade das empresas precisa de um ambiente multicloud híbrido, algumas um pouco mais on-promise, outras mais em cloud pública ou privada. Consoante o caso, a solução final será sempre híbrida e é por isso importante abordar os clientes sem preconceitos e com soluções adequadas e adaptadas à realidade de cada um. Concerteza o mundo está a ficar cada vez mais cloud e com a pandemia houve um acelerar deste movimento, porque mais cloud permite mais flexibilidade e mais agilidade às empresas, garante.

Na gigante IBM, um dos players mundiais da cloud, a aposta na multicloud híbrida é estratégica para o futuro. Como explica Frederico Munõz, Chief Architect da subsidiária nacional, existe "já uma realidade para os clientes empresariais que pode ser considerado um conceito de multicloud híbrida, endereçando as diferentes necessidades", porque dão soluções adequadas aos problemas concretos.

Cerca de 94% dos clientes empresarias da IBM partilham a utilização de clouds múltiplas e 67% usam mais do que uma cloud pública, exemplifica o gestor. É que o recurso a soluções de multicloud híbrida tem vantagens: best fit, já que diferentes necessidades têm diferentes soluções; elasticidade, com modelos de custos e modelos de consumo; e redução do lock-in, podendo adotar-se ajustamentos do raodmap para preparar o futuro. Acresce uma maior redução dos riscos, já que ao ter os dados em diferentes clouds haverá menos risco em situações de catástrofe.

Mas o futuro tem de ser feito com base em respostas concretas perante aos desafios que são colocados. Os números da IBM mostram que 73% das empresas se preocupam prioritariamente com os movimentos entre clouds, 82% com a conetividade e 67% com a consistência na gestão. As skills são outro tema, tal como a segurança e a qualidade final do produto e a complexidade no controlo e na gestão, perante a existência de múltiplos dashboards e faturas.

Muitos clientes IBM apontam por isso a "falta de conhecimento claro sobre as parcerias e as ofertas e estratégias em termos de multicloud híbrida. Assim como a complexidade associada à migração. Por isso, o que é preciso é saber o que escolher e quando escolher", diz o gestor. O caminho? "Dar resposta às dificuldades, com o endereçamento certo e com diferentes modelos de consumo (on-premise, IaaS, PaaS e SaaS), com partilha e mudança de responsabilidades. Em termos de gestão, o objetivo é ter uma visão unificada do que são as várias possibilidades do multicloud, sendo preciso dar resposta a um conjunto de temas em muitas áreas".

Sendo a IBM uma cloud service provider para empresas e de serviços, a sua estratégia de futuro foi construída "assente na ideia de que o ambiente multicloud não só é necessário como algo que devemos ativamente procurar. Não é só por tecnologia que se faz, mas por via de um processo de escolha que leva ao desenvolvimento de muitas frameworks".

LENTA ADOÇÃO NO MERCADO NACIONAL

Num debate conduzido pela Diretora-geral da APDC, Sandra Fazenda Almeida, os oradores admitiram que a adoção de soluções de multicloud híbrida no mercado nacional está a decorrer de forma lenta, quando comparada com outras geografias. Um dos principais obstáculos, apontado pelo gestor da Equinix, reside no facto dos fornecedores mundiais ainda não estarem diretamente no mercado nacional, com data-centers. Mas antecipa que a situação mudará dentro de um a dois anos, sendo o "grande shift que acelerará a curva de adoção de soluções de multicloud híbrida".

É no setor público que se verificam os maiores atrasos na adoção de soluções cloud, como destaca António Miguel Ferreira. Apesar do país ser um exemplo em termos de oferta de serviços públicos digitais, o facto é que tudo ainda é suportado em tecnologia on-premise, o que não permite qualquer agilidade à Administração Pública. Mais do que outra qualquer razão, a situação resulta do atual enquadramento do código de contratação pública.

Já no setor privado, "há muita vontade de evoluir, uma predisposição grande para se encontrarem as melhores soluções em termos económicos, de tecnologia, de processos, para uma migração para cloud pública", garante. Frederico Munõz adianta ainda que a pandemia veio acelerar a mudança, até porque "a transformação está muito dependente da necessidade. Houve um quebrar das barreiras por parte de alguns clientes mais tradicionais sobre as tecnologias cloud".

A segurança das soluções cloud deixou de ser, na opinião dos oradores, um tema que não se discute. Hoje, estar numa cloud pública é até mais seguro do que estar numa solução privada, porque os mecanismos de controlo dos grandes fornecedores de soluções têm uma enorme escala. Já a latência é um tema recente, como avança o responsável da Claranet. Apesar de serem muito poucas as aplicações que têm problemas de performance, o facto dos grandes fornecedores não terem data centers na Península Ibérica pode, a prazo, ser uma questão.

Mas Carlos Paulino está otimista. Se, no futuro, a utilização de novas tecnologias como a IoT e o 5G vão obrigar a latências muito inferiores e processamento de proximidade, está convicto de que os grandes fornecedores terão de passar das mega-regiões para as ofertas com uma capilaridade crescente. Aliás, a Equinix está a trabalhar nesse sentido, em conjunto com a Aicep.

"Já começámos a ter a primeiras conversas no sentido de ter infraestruturas próprias em PT. Acredito que isto está para breve. É uma questão de tempo, de pouco tempo, para que os temas da geografia e latência estarem completamente ultrapassadas, fazendo com que o ste gap de atraso que temos na adoção de cloud comece a ser ultrapassado. Sendo Portugal um ponto de trânsito muito importante para África, há também uma maior disponibilidade dos providers de tipo em localizarem-se em Lisboa", conclui.


PROGRAMA (10:00h - 11:15h)
  • Boas-vindas | Sandra Fazenda Almeida | APDC 
  • Multicloud Híbrida: Impulsionador da Transformação Digital | Carlos Paulino | Equinix (Download apresentação)
  • Private, Public e Hybrid Cloud - uma abordagem holística | António Miguel Ferreira | Claranet 
  • Hybrid Multicloud: an open and secure approach to the adoption journey | Frederico Munoz | IBM (Download apresentação)


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